Técnico 05/08/2026

Compressão: o teste que define se uma embalagem resiste à operação real

Uma caixa de papelão ondulado raramente enfrenta apenas o peso do produto que carrega. Ao longo do trajeto entre a fábrica e o destino final, ela sustenta também o peso de outras caixas empilhadas sobre ela, a pressão do transporte, os dias parada em estoque e as variações de umidade do ambiente. A capacidade de suportar essa carga vertical sem deformar ou colapsar tem nome técnico: compressão.

O que a compressão mede

Compressão, no contexto do papelão ondulado, é a resistência da embalagem a cargas verticais aplicadas sobre ela. Na prática, é o que determina quantas caixas podem ser empilhadas com segurança em um palete, sem que as unidades da base cedam sob o peso das demais.

Essa propriedade está diretamente ligada à engenharia da chapa: ao tipo de onda utilizada, à gramatura dos papéis, ao número de faces (parede simples, dupla ou tripla) e ao projeto estrutural da caixa. Uma embalagem com resistência de compressão insuficiente pode amassar ainda no estoque, comprometer o produto interno e gerar perdas ao longo da cadeia logística, muitas vezes sem que a causa raiz seja identificada com clareza.

Como a compressão é medida

No Brasil, o ensaio de compressão em caixas de papelão ondulado é normatizado pela ABNT NBR 6739, equivalente ao método internacional ISO 12048 e ao TAPPI T804. O teste consiste em posicionar a caixa, montada e selada como em condição real de uso, entre as placas de um equipamento de compressão, aplicando carga vertical controlada até o ponto de colapso estrutural. O resultado é expresso em força máxima suportada, geralmente em kgf ou newtons.

Esse ensaio costuma ser complementado por outro teste, a resistência de coluna da chapa (ABNT NBR 6737, também referida como ECT, edge crush test). O ECT mede a resistência da chapa isolada, e é um dos parâmetros usados na fórmula de McKee, desenvolvida ainda na década de 1960 pelo Institute of Paper Chemistry, para estimar a resistência à compressão de uma caixa a partir de três variáveis: a resistência de coluna do papelão, sua espessura e o perímetro da caixa. Na prática, a fórmula funciona como uma estimativa inicial no desenvolvimento do projeto, e a validação final costuma vir do ensaio direto na caixa montada.

Um fator adicional entra nesse cálculo: a umidade relativa do ar. O papel é um material higroscópico, e sua resistência mecânica cai à medida que a umidade aumenta. Por isso, os ensaios de compressão costumam ser realizados em condições controladas de temperatura e umidade (a atmosfera padrão de condicionamento e ensaio, de 23°C e 50% de umidade relativa, definida pela ABNT NBR NM-ISO 187), e o projeto final de uma embalagem para determinada rota logística leva em conta a variação de umidade esperada ao longo do trajeto e do período de armazenagem.

Por que isso importa na prática

Compressão insuficiente tem custo direto e indireto. O custo direto aparece em avarias, produtos danificados e devoluções. O custo indireto, muitas vezes maior, aparece em reprojetos emergenciais, perda de espaço útil no estoque por limitação de empilhamento e, em casos recorrentes, no desgaste da confiança entre fornecedor e cliente.

O cálculo teórico, como a fórmula de McKee, é uma ferramenta valiosa logo no início do desenvolvimento de uma embalagem, e ajuda a orientar as primeiras decisões de projeto. Em situações de maior criticidade, como mudanças relevantes de estrutura, produto ou rota logística, simular as condições reais de empilhamento, carga e tempo de armazenagem através de testes físicos traz uma camada extra de confiança, confirmando se a resistência projetada corresponde à resistência que a operação exige.

Referências técnicas

  • ABNT NBR 6739: Embalagem de papelão ondulado, ensaio de compressão usando aparelho de compressão
  • ABNT NBR 6737: Papelão ondulado, determinação da resistência à compressão de coluna (ECT)
  • ABNT NBR NM-ISO 187: Papel, cartão e pastas celulósicas, atmosfera normalizada para condicionamento e ensaio
  • ISO 12048 e TAPPI T804: (equivalentes internacionais ao ensaio de compressão de embalagens)
  • McKee, R. C.; Gander, J. W.; Wachuta, J. R. “Compression Strength Formula for Corrugated Boxes.” Paperboard Packaging, agosto de 1963, Institute of Paper Chemistry

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